Solução garante acessibilidade a deficientes visuais no uso do SAJ

14/08/2020 | 3 min. de leitura

Servidores deficientes visuais que utilizam o Sistema de Automação da Justiça (SAJ) em Tribunais, Ministérios Públicos e Procuradorias Jurídicas terão a chance de melhor se desenvolverem profissionalmente e contribuírem de forma mais ativa com a produtividade das instituições. Com o SAJ Acessível, o sistema de gestão processual oferece mais usabilidade para quem tem limitações na visão. O projeto é resultado do foco, comprometimento e força de vontade de uma equipe da Softplan para tornar o Sistema de Automação da Justiça totalmente acessível.

O SAJ Acessível amplia a capacidade de trabalho dos servidores deficientes visuais dentro do Sistema de Automação da Justiça. Por limitações técnicas, antes da solução, esses servidores tinham apenas 30% de usabilidade no SAJ – ou seja, conseguiam operar somente uma pequena parte do que o sistema permite. Agora, esse índice chega a 80%, dependendo do escopo de trabalho do usuário.

A servidora Helena de Ângelo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi uma das primeiras a receber o SAJ Acessível. Para ela, a nova ferramenta trouxe mais agilidade em sua rotina dentro do sistema:

“O acesso ao andamento do processo e ao fluxo de trabalho ficou bem mais fácil. A abertura dos autos está simples, com menos comandos. Ganhamos tempo na leitura dos processos, conseguindo ler somente as páginas que gostaríamos. E agora conseguimos encontrar os modelos de documentos de forma mais ágil. O SAJ Acessível facilitou bastante todo o meu trabalho.”

Para a Softplan, implantar o SAJ Acessível nas suas instituições parceiras representa os valores em que a empresa acredita:

“Nosso propósito é desenvolver soluções que fazem a diferença na vida das pessoas. Com o Sistema da Automação da Justiça, ajudamos a modernizar o Judiciário, que passou a oferecer um serviço mais ágil e eficiente à sociedade. E agora, com o SAJ Acessível, estamos contribuindo para que esses profissionais talentosos possam desempenhar suas tarefas independentemente de suas limitações físicas”, disse o diretor-executivo da Softplan, Ilson Stabile.

O projeto

Analista de testes de usabilidade na Softplan, Marcelo Rocha de Souza tem apenas 5% da visão. Ele é o responsável por idealizar e tirar do papel o projeto SAJ Acessível.

O projeto começou no final de 2017, quando um servidor deficiente visual de um dos Tribunais que utilizam o SAJ pediu ajuda a Marcelo. Formado em Direito e lotado em uma unidade no interior do Estado, ele tinha o sonho de ser juiz. Mas os impedimentos técnicos dos leitores de tela não permitiam que ele realizasse plenamente suas tarefas no sistema de gestão processual.

Em busca de melhorar as condições de trabalho dos usuários deficientes visuais, Marcelo começou a pesquisar informações sobre como tornar os leitores de tela compatíveis com o SAJ. Elaborou um projeto e recebeu aprovação da Softplan para iniciar testes para possíveis soluções.

Na fase de desenvolvimento e contou com o trabalho do programador Willian Jesus da Silva, especialista em linguagem Python. Após passar por testes, o SAJ Acessível integrou a versão 2.0 do sistema, requisito para que as instituições da Justiça recebam a sexta geração tecnológica do SAJ.

“Com o SAJ Acessível, os servidores deficientes visuais vão ter mais produtividade, podendo lutar de forma igualitária por ascensão profissional. A Softplan acreditou no projeto, e agora estamos conseguindo colocá-lo em prática. Gosto de tecnologia e gosto de ajudar as pessoas, então estou no emprego certo”, disse Marcelo.

Como funciona o SAJ Acessível

Deficientes visuais utilizam o computador por meio de leitores de telas. São softwares que identificam todos os elementos presentes na tela, como textos, imagens, botões e links, e literalmente leem para o usuário. Assim, guiados pelo som, eles conseguemacessar a internet, ler textos, utilizar aplicativos de mensagens e trabalhar.

Porém, os leitores de tela mais utilizados não tinham compatibilidade com o SAJ. Desta forma, os usuários precisavam configurar manualmente códigos (scripts) que ajudassem esses softwares a lerem a tela do SAJ.

Nesse processo, muito se perdia a cada mudança sofrida pelo sistema. Toda vez que um botão mudava de lugar (seja por atualização ou por customização), era preciso um novo script. Isso também limitava o escopo de atuação dos servidores deficientes visuais em 30% das funcionalidades do SAJ.

O SAJ Acessível é baseado em duas tecnologias: visão computacional e redes neurais. A primeira é responsável por enxergar os elementos e obter as informações apresentadas na tela. Já a segunda faz interpretação desses elementos, transformando-os em dados, que passam a ser agrupados e classificados. A junção dessas duas tecnologias possibilita a leitura correta dos botões independentemente da resolução da tela ou das personalizações.

Assim, o SAJ Acessível permite que os leitores de tela reconheçam todos os botões e elementos do SAJ. Isso garante que os usuários deficientes visuais consigam fazer muito mais tarefas dentro do sistema.

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