O que é robótica e como ela pode impactar o Judiciário

25/01/2021 | 3 min. de leitura

Existe o temor em muitos setores de que “os robôs vão substituir o trabalho humano”. Embora essa ideia não seja apenas “coisa de ficção científica”, também não deve ser tratada de forma alarmista. A curto e médio prazo, vislumbramos um cenário em que os avanços da inteligência artificial ajudarão os humanos a produzirem mais de forma eficiente. Mas para entendermos o porquê dessa previsão, precisamos antes compreender o que é robótica.

O que é robótica?

Conceitualmente, robótica é a disciplina que estuda a concepção e a construção de robôs. Engloba desde engenharia mecânica, eletrônica e computação até áreas como filosofia, ética e psicologia. Os avanços da robótica ultrapassaram a indústria mecânica. Hoje alcançam setores como a medicina, a educação, a exploração espacial e até mesmo o Judiciário.

A palavra “robô” vem do termo robota, que significa “trabalho forçado, servidão”. Foi criado em 1920 pelo escritor tcheco Karel Capek (1890-1938) na peça de teatro “R.U.R”. Na história, os roboti são máquinas sintéticas orgânicas que trabalham para o seres humanos até decidirem se rebelar contra seus criadores. O enredo tornou-se um lugar-comum na ficção científica, ajudando a consagrar escritores como Isaac Asimov e Philip K. Dick.

Assim, conseguimos definir o que é robótica. Trata-se da área da ciência que estuda e desenvolve máquinas que exercem trabalho automatizado. Um dos exemplos de utilização mais comuns é na indústria automotiva, onde braços mecânicos exercem funções na linha de montagem. Porém, os robôs também estão entrando em áreas mais “intelectualizadas”, como o Judiciário.

Bots, os robôs da computação

Robôs podem ser definidos como mecanismos que executam comandos de forma a desempenhar tarefas automaticamente. Por exemplo, um braço mecânico numa fábrica de carros é programado para acoplar duas peças repetidamente. E ele fará isso até ser desligado ou programado para outra função.

A partir dessa lógica, desenvolvedores de software criaram programas para executar de forma automática determinadas tarefas dentro dos sistemas. Esses programas passaram a ser chamados de bots, um derivado de robots (“robôs” em inglês).

Os bots estão disseminados em todos os contextos da informática. Os buscadores da internet têm seus robôs que analisam automaticamente milhões de websites para indexar suas informações aos resultados das buscas. Empresas programam bots para monitorar e responder automaticamente menções em redes sociais. Já é possível agendar exames e consultas médicas por celular, sem interagir com humanos. Aquela “mulher” que fala com você no celular só existe em código de programação.

Em resumo, a robótica foi além da automação de tarefas mecânicas, desempenhando agora funções e serviços em sistemas computacionais. Os usuários dos sistemas ficam livres de desempenhar essas tarefas repetitivas. Imagine se você precisasse acessar centenas de sites até encontrar aquele que dispõe da melhor informação que você procura, em vez de simplesmente clicar nos links melhor ranqueados?

Assim como os bots nos poupam de tarefas triviais e repetitivas no uso cotidiano dos computadores e celulares, a robótica tem impactos em serviços mais específicos. Um dos exemplos é o Judiciário, que com o advento do processo eletrônico viu sua rotina de trabalho migrar para os sistemas. E, com isso, surgiram também seu próprios gargalos digitais – que podem ser automatizados.

Como a robótica pode ajudar a Justiça?

O processo judicial eletrônico não migrou apenas a tramitação do papel para o digital. A rotina dos operadores do Direito foi adaptada para a realidade dos sistemas de gestão processual. Novos fluxos de trabalho foram criados. Tudo isso resultou em um incremento na produtividade em todos as instituições do Judiciário que fizeram a transformação digital de forma adequada.

Mas o novo contexto trouxe novos gargalos. O processo eletrônico tornou a Justiça mais acessível. É mais fácil e menos burocrático protocolar uma petição inicial, por exemplo. Soma-se a isso um cenário de corte de gastos e escassez de recursos públicos. O cenário é de aumento de demanda e diminuição de mão de obra.

O que é a robótica, segundo os conceitos que apresentamos anteriormente, senão uma das frentes para solucionar esse problema? As instituições da Justiça, em parceria com empresas fornecedoras de tecnologia, já estão olhando para isso. Cada vez mais surgem novos robôs para a Justiça que solucionam gargalos de produtividade.

Mesmo com os sistemas de gestão processual, ainda são realizadas muitas tarefas repetitivas. Exemplos: classificação, triagem e distribuição de processos, penhora online. São funções que, se automatizadas, permitem aos operadores do Direito dedicarem-se às atividades-fim. Isso vale para todos os âmbitos da Justiça: desde um advogado elaborar suas estratégias até um juiz analisar uma sentença.

Conclusão

Entendemos o que é robótica, como ela se insere no contexto digital e como ela pode ajudar o Judiciário. Trata-se de uma área da ciência importante para que as organizações alcancem uma maior produtividade. Percebemos que isso não diz respeito apenas à indústria mecânica. Todos os setores têm a capacidade de automatizar tarefas, seja com robôs físicos ou softwares.

No contexto da Justiça, acreditamos que ainda é cedo para se preocupar com a possibilidade de os robôs substituírem os juízes. Sabemos que a Inteligência Artificial está evoluindo a passos largos. Todavia, o Judiciário ainda tem muitos gargalos e pontos de melhoria nas rotinas do dia a dia. E a automação de tarefas é uma solução para lidar com a demanda e prestar um atendimento jurisdicional de melhor qualidade. O robôs, sejam eles inteligentes ou não, por muito tempo ainda serão nossos aliados.

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