O que é predição e como ela está revolucionando o Direito?

19/03/2019 | 2 min. de leitura

Muito falamos, aqui no SAJ Digital, sobre Big Data na Justiça. E quando tratamos desse assunto, o termo “análise preditiva” está sempre presente. A predição, dentro da imensidão de possibilidades proporcionadas pela junção entre a tecnologia e a matemática, nos permite prever eventos futuros baseados em eventos passados.

As técnicas da Ciência de Dados, integradas com ferramentas de Inteligência Artificial e o uso de Big Data, proporcionam informações relevantes para a solução de problemas jurídicos, bem como a automação de tarefas manuais e repetitivas. Os resultados são análises e decisões baseadas em dados.

De acordo com o Justiça em Números, em 2017, 84,9% dos novos processos que adentraram na Justiça, em todas as esferas, foram por meio digital. “Ou seja, isso abre a possibilidade de se realizar pesquisas mais extensas e assertivas no campo da análise de dados”, comenta Tiago Melo, economista especialista em Ciência de Dados.

A análise preditiva na prática

A realização da predição se dá com o mapeamento de variáveis dentro de tudo o que já ocorreu no objeto analisado. Pega-se uma série de eventos para então cruzar as diferentes ocorrências entre eventos diversos e assim se estabelece uma correlação entre eles.

É importante entender que o grande volume de dados gerados pela Justiça brasileira impossibilita que se faça a análise dos dados em uma planilha Excel. Isso porque é demandada uma capacidade alta de processamento para escrever as fórmulas, o que ultrapassa o campo da matemática.

Neste momento, a computação faz seu trabalho. Com as técnicas matemáticas de estatística, a ciência da computação permite que se transforme coisas complexas em códigos não tão complexos como, por exemplo, na linguagem de programação Python.

Como a predição está revolucionando o Direito?

As novas tecnologias estão revolucionando a Justiça e o exercício do Direito. Um exemplo disso é a previsão de quantos processos vão entrar na Justiça brasileira, a partir de uma correlação entre demanda de processo judiciais e ambiente macroeconômico. A análise consegue prever, por exemplo, quantos processos vão entrar nos próximos 24 meses com filtros por mês, comarca e classe processual.

“Essa análise se torna importante também para que as instituições consigam antecipar eventuais aumentos de processos em uma região específica. Assim, é possível transferir mão de obra, criar varas itinerantes, fazer mutirão de análise de processos ou criar unidades judiciais”, diz Tiago.

Um outro exemplo de como a predição pode auxiliar a Justiça brasileira é na previsão do que vai acontecer com os processos judiciais. A análise de dados dos documentos digitais caracteriza a classe processual e o assunto processual e, dentro das variáveis, são feitas as probabilidades de ganho, perda e duração do processo.

Soluções jurídicas que utilizam a predição

Com o intuito de aprimorar a análise de cenários jurídicos e otimizar procedimentos, empresas já desenvolvem softwares especializados para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos.

As chamadas lawtechs implementam o uso de tecnologias da Ciência de Dados para auxiliar a tomada de decisões no Direito. Soluções assim permitem que os especialistas na área ganhem performance no exercício da profissão.

Um exemplo para as análises preditivas é o Convex Legal Analytics. A solução desenvolvida pela Softplan combina jurimetria e Inteligência Artificial para entender o que aconteceu, acompanhar a situação em tempo real e visualizar antecipadamente o que acontecerá nos casos trabalhos por departamentos jurídicos e escritórios de advocacia.

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