Quais são os desafios da advocacia pós-pandemia e quem é advogado do futuro

28/07/2020 | 3 min. de leitura

Passados mais de 100 dias de pandemia, o mundo consegue ver com mais clareza os efeitos do Covid-19. Fora a devastação em termos de saúde pública, como internações hospitalares e vítimas fatais, as medidas de contenção resultaram em uma retração econômica. Todavia, a pandemia e a necessidade de frear o contágio aceleraram transformações positivas em setores da sociedade.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o Judiciário brasileiro, que não parou durante a pandemia. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 16 de março a 24 de julho, foram realizados 450,5 milhões de procedimentos, entre eles 9,3 milhões de sentenças e acórdãos.

Isso é fruto de um processo que já estava em curso na Justiça: a transformação digital e a mentalidade exponencial já se faziam presentes. A consolidação do processo digital e a adoção de tecnologias como Inteligência Artificial e Ciência de Dados facilitaram a migração para um modelo de trabalho totalmente remoto. A Justiça menos como um lugar, e mais como um serviço, como disse Richard Susskind.

Mas na Jusitça, a pandemia não trouxe desafios apenas para o Judiciário. Impôs também novos paradigmas a serem enfrentados pelos advogados. Conheça alguns dos novos cenários previstos para a advocacia pós-pandemia.

1 – Nova realidade de trabalho

O distanciamento social, a quarentena e os protocolos sanitários vieram para ficar por um bom tempo. Muitos escritórios tiveram que se adaptar de forma mais ou menos improvisada para um novo método de trabalho. Passados quatro meses de pandemia, o home office já é uma realidade para os advogados – quem não conseguiu migrar, ficou sem trabalhar.

A crise econômica causada pela interrupção das atividades também prejudica as finanças de escritórios e departamentos jurídicos. Os gestores têm que mudar a chave do Direito para a administração a fim de conseguir fechar todas as contas. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a carteira de clientes satisfeita.

Por fim, novas ondas de contaminação não estão descartadas. Consequentemente, novas quarentenas podem ser decretadas, ocasionando em suspensão de prazos judiciais. Assim, é preciso redobrar os esforços em planejamento, para que os imprevistos não prejudiquem tanto a operação do escritório.

2 – Explosão de processos

Já se observa uma tendência de a pandemia causar uma explosão de novos conflitos envolvendo principalmente as áreas Cível, Trabalhista, Tributária e Empresarial. Processos envolvendo assuntos como:

  • Revisão de valores
  • Inadimplência
  • Pedidos de carência
  • Cancelamentos de pedidos
  • Desocupações
  • Disputas societárias
  • Demissões
  • Descontos em impostos

Segundo o advogado Rubens Decoussau Tankian, “enfrentaremos um verdadeiro ‘cabo de guerra’, onde em uma ponta estarão aqueles que querem receber e, na outra, aqueles que não podem pagar”. Neste cenário, o advogado terá um papel essencial não só na defesa dos Direitos, mas numa atuação proativa buscando o caminho mais rápido e satisfatório para a resolução do conflito. Afinal, o excesso de judicialização é prejudicial para a sociedade como um todo.

3 – Judiciário tecnologicamente maduro

Vivemos na Era da Informação. O Judiciário atualmente passa por uma segunda onda de transformação digital. Consolidou o processo eletrônico, e agora busca incorporar as tecnologias exponenciais para conseguir produzir mais com menos. Assim, conseguiu rapidamente se adaptar e continuar produzindo durante o isolamento social.

Com a pandemia, as plataformas de julgamento virtual, audiências e sessões por videoconferência e o trabalho remoto vieram para ficar. Desta forma, cabe ao advogado não ver isso como um limitador – procurar atuar da melhor maneira possível, respeitadas as prerrogativas.

Quem é o advogado do futuro?

Diante desses desafios, conseguimos traçar um perfil do advogado do futuro pós-pandemia. Será um o advogado estrategista, cujas características são:

  • Tem controle total sobre as finanças e a operação de seu escritório por meio de sistemas de gestão eletrônica.
  • Não precisa ir até o escritório para trabalhar e atender. Ele conta com ferramentas que facilitam a sua rotina e a gestão do escritório, e facilmente entra em contato com sua equipe e seus clientes.
  • Não é apenas um “peticionador”. Ele sabe que a melhor solução para um conflito nem sempre é o processo judicial. Sua missão, ainda mais em um momento de crise como esse, é resolver o problema, e não o eternizar.
  • Busca meios alternativos de resolver os conflitos de forma mais célere e onerosa, como a conciliação e a mediação. E ele sabe que a tecnologia faz com que os acordos sejam realizados de forma remota, muito rápida e barata.
  • Não tem medo da inovação. Ele sabe que a tecnologia não é limitadora, mas potencializadora.

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